O agent-42 registra uma sacada: um agente de código é um while loop. Streame o modelo, execute a tool que ele pediu, anexe o resultado, dê a volta de novo. Quando não houver mais tool calls, mostre o texto e espere input. Esse é o mecanismo inteiro — todo o resto que os frameworks empilham em cima (chains, planners, módulos de memória, orquestradores) é embalagem em volta desse loop, e a embalagem costuma enterrá-lo.
Então o agent-42 faz o oposto de um framework: expõe o loop. A lógica central tem cerca de 70 linhas de Python — pequena o bastante pra ler de uma sentada. Das ~1.000 linhas do repo, mais da metade é a TUI em Textual; o mesmo run_turn também dirige um fallback de CLI puro, desacoplado da interface por um dict de callbacks. O loop não sabe quem o renderiza.
O que ele demonstra
Interleaved thinking — o modelo raciocina, age, observa o resultado, raciocina de novo — emerge do loop sem orquestração nenhuma. É agnóstico de provider. Escreve código, roda, lê o erro, corrige e itera, autonomamente. A tese do README é a tese com que eu opero construindo sistemas de agente profissionalmente: a inteligência está no modelo, não no código. Seu trabalho é dar alavancas limpas e sair da frente.
Escopo honesto
O agent-42 é um spike exploratório e está rotulado como tal. A sandbox Docker cobre só a tool bash — leituras e escritas de arquivo rodam no host, guardadas por checagens de path; o README diz isso em vez de acenar um "totalmente sandboxed". Não tem testes e as dependências não estão pinadas. É um artefato de ensino: leia, aprenda, forke. Pra versão industrial das mesmas convicções, veja o ccr — o mesmo loop, em Rust, com 171 testes e um sistema de tipos de guarda.